Descendo o Pau – Final Fantasy XII

A imagem ao lado é um recorte da famosa pintura Escola de Atenas (clique aqui para ver completa), de Rafael, que além de tartaruga ninja também foi um grande artista do renascimento italiano. Ela retrata, no seu centro, os dois mais importantes filósofos gregos: Platão, à esquerda, apontando para o alto, e Aristóteles, à direita, apontando para o chão. O que isso tem a ver com games? É o que eu vou explicar agora.

Toda vez que comparo os enredos de Final Fantasy 10 e Final Fantasy 12 imediatamente me lembro desta pintura. Isso porque a história do FF10 é marcada por um forte caráter religioso, explorando bastante a questão da espiritualidade. Sabe-se lá o que os caras fumaram enquanto bolavam o game, mas com certeza estavam altos.

Já FF12, ao contrário, é sobre a humanidade retomando em suas mãos o curso da sua história, em oposição direta aos Deuses. Até aí, beleza, confesso que prefiro sempre um enredo pé-no-chão do que algo parecido com FF10. O decepcionante é ver que muito pouco disso nos é oferecido durante o game. A abertura é magnífica (talvez a melhor ever), e o final também é excelente e emocionante. Entre um e outro tem umas 150 horas de jogo mornas no que diz respeito ao desenvolvimento do enredo: se o game como um todo não fosse tão bom, eu acho que tinha parado de jogar.

E os personagens então… são totalmente broxantes. Eu esperava muito mais deles, principalmente do “general acusado de traidor”, que tinha tudo pra ser um dos melhores de todos os FFs, mas teve pouca atuação no desenrolar do game. O protagonista é o mais fraco que já vi, “um garoto que queria ser um pirata dos ares”, além de muito afeminado, não tem conteúdo nenhum. Ele fica totalmente à sombra da “princesa que perdeu tudo”, dessa sim eu gostei. Quanto aos demais, o Balthier pelo menos é estiloso, já a Fran e a Penelo são completamente dispensáveis.

O sistema de batalhas é genial, mas o sistema de evolução é ridículo de tão simples. A License Board é um retrocesso, muito superficial, só serve pra atrapalhar. Eu fico imaginando se pegassem as matérias do FF7 e transportassem pra cá, ficaria umas mil vezes melhor: mais estratégico, mais profundo, e mais interessante.

Há ainda um último ponto em que eu gostaria de tocar: as músicas. Para isso eu vou contar uma breve experiência que tive. Estava eu falando com o Montblanc em Rabanastre quando aceito caçar um tal “Ancient Man of Mistery”. Encontrei o dito cujo numa ponte, e entrei em batalha com ele. Cara, a música era muito boa, até fiz questão de deixar o controle parado e ficar ouvindo. Foi aí que me dei conta de duas coisas:

1º) Era a primeira vez em todo o game que eu havia parado para ouvir a música;
2º) Porra, eu já passei por isso antes. Gilgamesh em uma ponte? Claro, no FF5!

Fiquei de certa forma decepcionado. A melhor música do game nem era do compositor Hitoshi Sakimoto, e sim do Nobuo Uematsu. Eu até nem culpo o coitado, porque não dá pra superar um gênio, mas gostaria mesmo que a Square Enix pagasse pro Uematsu o salário que fosse necessário para ter ele mais uma vez como funcionário.

Enfim, estas são minhas críticas ao FF12. Não me entendam mal, o jogo é incrível, e pretendo em breve fazer um “Pagando Pau – Final Fantasy XII”, só achei que começar pela polêmica poderia reanimar um pouco o blog, hehe. Para finalizar, convido vocês leitores a discordar, xingar, e até me ameaçar, mas não deixem de dar sua opinião. Abaixo vai um vídeo da música do Gilgamesh tocada no piano (se preferir os Black Mages, clique aqui) e veja que o cara que compõe uma coisa dessas só pode ser gênio.

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As the award ceremony begins, the crowd can be heard whispering... "Where is the champion?" "Where is Ryu?" Already seeking the next challenge, ceremony means nothing to him. The fight is everything.