GAME MUSIC: Journey Through the Brilliant days ~Chrono Trigger Arrange Album~

journey-through-the-brilliant-days.jpg

Pegue o álbum oficial Chrono Trigger Arranged Version: The Brink of Time, arranjado pela dupla GUIDO e por Gizaemon de Furuta. Ou então o Chrono Symphonic: A Cinematic Interpretation, projeto de fãs para sonorizar um fictício filme baseado no jogo. Ou ainda a seção inteira de remixes do OverClocked ReMix. Nenhum desses, para mencionar as tentativas mais conhecidas de arranjar as músicas do Chrono Trigger, superam o obscuro CD doujin Journey Through the Brilliant days ~Chrono Trigger Arrange Album~.

Em relação à game music, a cena doujin se mantém com discos gravados por fãs e publicados à revelia dos compositores, desprezando direitos autorais das músicas – em oposição aos EUA, onde os remixes costumam centrar-se em comunidades e são disponibilizados gratuitamente. O problema é que para comprá-los é necessário morar no Japão. Aí que entra a Internet. Se não fosse por ela seria impossível conhecer.

A OST que marcou o debute na composição de Yasunori Mitsuda é uma das melhores de todos os tempos, lembrando que devido à úlcera que o acometeu durante a produção, Noriko Matsueda (Bahamut Lagoon) e Nobuo Uematsu (Final Fantasy) o auxiliaram com uma e oito faixas, respectivamente. Mitsuda ainda teve de superar o infortúnio da perda irreparável de 40 músicas inconclusas do seu disco rígido. Pudera, depois de três anos fazendo efeitos e programação de som na Squaresoft e ter exigido a composição da trilha para algum jogo à Hironobu Sakaguchi, e este, como supervisor de Chrono Trigger (ao lado de Yuji Horii), tê-lo incumbido da criação das músicas, vontade era o que não faltava.

O grupo responsável pelo Journey Through the Brilliant days, takrockers!!, selecionou dez faixas das 84 da OST (o álbum inclui duas faixas não aproveitadas; do jogo mesmo são 82) para conferir aspecto primordialmente rock, respeitando as ricas melodias sintetizadas. O tic-tac de “A Premonition” (tela-título) é enfeitado por guitarras na primeira “i_ris, i_rot ~Introduction~”, que introduz o choque que está por vir.

“Trip! ~Losing Oneself in the Distortion of Time~” é a interpretação mais genial do tema da série “Chrono Trigger”, que me perdoe a versão orquestrada “Chrono Trigger” (com uma breve pausa para “Crono and Marle ~ A Faraway Promise”)  do Kosuke Onozaki no Orchestral Game Concert 5. É como se os Black Mages tivessem feito a versão. Minto, bem melhor. Por incrível que pareça. A guitarra é afinada, precisa, brilhante e ofusca o teclado, saxofone e bateria de tão arrebatadora.

“it’s fine today ~Millenial Samba~” não é o que imagina, apesar de piano e percussão penderem de leve (bem de leve) para o estilo. Novamente a guitarra iluminada, recriando a animada “Guardia Millenial Fair”, com direito aos gritos. Extirpa a flauta do original e o saxofone aparece um pouco mais. No excerto de 1:39 a 1:42 o baixo faz referência à “Battle 1”.

“Wind Scene” (o tema de 600 A.D.), que fazia você passear pelo mapa-múndi da Idade Média só para ouvi-la (aposto!), aproveitando que não havia combates aleatórios, foi composta para ser tocada por violinos, mas aqui, novamente, é executada com a guitarra. No final, a “An old wind ~Autumn Day Feast Revolt~” remonta “Frog’s Theme” em sessão jazzística.

Estava tudo excelente até a quinta faixa, “Johnny Be Rising! ~Kashi wa Gokigen Naname~”, com um quê de rock da década de 1960, em que resolvem colocar dois vocalistas dispensáveis para uma versão cantada de “Bike Chase” (do Nobuo Uematsu), emendando na “Robo’s Theme”. A ruindade desta contamina um bocado a “break time ~The Outskirts of Time~”, numa seqüência pouco inspirada de violão e guitarra da “The Brink of Time”, e ainda a próxima, a repetitiva “Chaos, Chaos, Chaos ~If You Notice G~”, versão de “Tyrano’s Castle”, outra do Nobuo Uematsu revisitada. E por ser dele e hard rock, percebe-se um esboço de Black Mages se você parar para pensar.

Aí no momento em que aparece outra cantada, a “ornc regirt ~Ancient Times~” você acha que o álbum decaiu mesmo. Mas, justiça seja feita, essa versão da “Corridors of Time” não é intragável quanto a quinta. No término há a pequeníssima “Mystery of the Past” do Uematsu. Quando tudo parecia perdido, as duas últimas recuperam a inspiração do início do CD.

“The End of the Dream ~New Century~” relê a “Last Battle” (combate contra Lavos) com o regresso triunfal da guitarra e riffs virtuosos. Tente não se arrepiar a partir de 4:45, quando o tema da série é aludido. Por fim, a guitarra novamente explode na “See you next time ~The Next Utilization~”, que recria a “To Far Away Times” (tema do encerramento) com roupagem rock.

Journey Through the Brilliant days não é perfeito. Tem pontos baixos e altos. Só que os pontos altos são tão altos (leia-se faixas 2,3, 9 e 10) que valem todo o CD. Além disso, pelo número pequenino de músicas, ainda que muitas delas abracem mais de uma original, o repertório poderia ser enriquecido. Mas lembre-se que o álbum é feito por um grupo amador, sem qualquer ajuda da Square Enix. Fato: você nunca encontrará um disco melhor de fãs ocidentais.

About the Author