[Livraria de Jogos] – A impotência perante o inevitável

Vários games já me proporcionaram momentos realmente inesquecíveis. Costumo citar sempre aquela cena de Final Fantasy 8 quando o frio e fechado Squall carrega a doce e alegre Rinoa nas costas pelos trilhos de trem, conversando com ela mesmo desacordada; ou talvez a hora de dar o último tiro na The Boss, em Metal Gear Solid 3, depois de ela revelar suas reais motivações. Quem sabe ainda a seqüência de Resident Evil Code Veronica onde Steve se transforma em um monstro, ataca Claire, mas consegue manter um traço de humanidade ao reconhecê-la, confessando que a amava. E assim eu poderia continuar mencionando incontáveis outros momentos…

Apesar disso, sem dúvida, uma cena que jamais será esquecida por quem a assistiu é a morte da Aeris pela espada do cruel e insano Sephiroth, em Final Fantasy 7. Mas por que razão será que essa cena é tão impactante? Por quê se tornou um marco na história dos games? Será pela emocionante música que a acompanha? Será pela bela cena em CG, novidade na época? Ou será pela surpresa? Eu arrisco dizer que por nenhum desses motivos.

Segundo Tetsuya Nomura e Yoshinori Kitase, em entrevista para a revista EDGE em maio de 2003, eles queriam acabar com o clichê do herói que se sacrifica como uma expressão de amor. Para eles, a morte é ligada aos sentimentos de vazio e perda, não de amor. E esse objetivo, de fato, foi atingido em cheio com Final Fantasy 7, já que o protagonista Cloud nunca se recupera da tragédia de ver sua amada morrer bem na frente dos seus olhos.

A morte da Aeris nunca foi surpresa para ninguém. É possivelmente o spoiler de games mais difundido de todos os tempos. Poucos foram os que jogaram sem saber do fato. E, na minha opinião, aí que está a magia do momento. Você sabe que vai acontecer, sabe como vai acontecer, mas não pode impedir. Você pode subir ela de nível, conseguir seu Limit 4, levar ela pra passear na Gold Saucer, pode até ficar enrolando no game fazendo missões paralelas, mas isso não muda o fato de que a Aeris vai morrer, ajoelhada na sua frente, sem que você ou Cloud sejam capazes de mover um músculo para evitar o inevitável.

Já procuraram no código do game alguma forma de revivê-la, já caçaram Sephiroth em outros jogos para se vingar (eu, particularmente, o espanquei em Kingdom Hearts 1), mas nunca nada disso trouxe a Aeris de volta. Ela jaz para sempre no fundo do lago na City of Ancients, e você sabia que aconteceria, mas não impediu, “por que você é uma marionete”.

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As the award ceremony begins, the crowd can be heard whispering... "Where is the champion?" "Where is Ryu?" Already seeking the next challenge, ceremony means nothing to him. The fight is everything.