
Todo mundo que freqüenta esse pequeno blog verde-limão conhece a coluna “GAME MUSIC”, aonde o grande Alexei Barros discorre sobre os melhores [ou não] albums de música de games. Todo mundo entende também que a música é uma das formas de expressão artística [entre as tantas] que se apresentam em qualquer game dígno de nota, quer você concorde que games podem ser considerados arte, quer não. O que poucos de vocês sabem é que eu estudo letras e, estudando letras, eu tenho que encarar um belo bocado de teoria literária pelo meu dia-a-dia acadêmico, e acho que o fato de eu ter pessado pelas tortur… provas do Douglas pra vir escrever aqui no Blogeek deixam claro o quanto gosto de games e o quanto gosto de falar sobre eles.
E nesses últimos tempos, pensando na faculdade que faço, na coluna do Alexei e em tudo o que leio sobre games por aí, cheguei a conclusão de que uma das formas de expressão artística intrinsica aos games não recebe o devido valor da imprensa, tanto nacional quanto internacional: a narrativa.
Veja bem, não estou dizendo que alguém ache a história e o roteiro do jogo desimportante, só acho que há um certo receio [compreensível] de colocar no mesmo patamar o letárgico e as vezes muito maçante mundo da literatura com o fast-paced, divertido e viciante mundo dos games. É só pegar como exemplo o sistema de reviews de maioria dos sites para ver isso claramente: nunca há um tópico exclusivo para analisar o roteiro, como há para a musica ou para o design gráfico. Se falam da história do jogo é apenas para situá-lo.
Mas imagina o que seria de Chrono Trigger sem aqueles personagens, ou o que seria de Metal Gear sem aquele roterio, ou Call of Duty sem as referências históricas, ou Bioshock sem o enredo, ou Final Fantasy VII, ou Ocarina of Time? [E me diga o que seria Sonic: Adventure com um pouco menos disso?]

Vendo desse ângulo, a gente se depara com muitas perguntas as quais nunca damos atenção quando jogamos: Quem é o cara que escreve aqueles milhões de diálogos quando o jogo é open-world? Quem que têm as sacadas e as reviravoltas que nos prendem e nos tiram o folego? Como eles conseguem nos emocionar, comover e muitas vezes até ensinar coisas importantes através de uma narrativa bem construída? Quem fode um jogo inteiro com um puta potêncial para ser foda porque simplesmente deixou alguns nós soltos pela história? Quais games conseguem passar além da barreira do puro escapismo, e quais não chegam a se importar com isso? Afinal quem escreve o que jogamos, e como eles conseguem?
Todo esse blá blá blá para dizer que tive uma idéia para um projeto novo. Um novo blog feito exclusivamente para discutir isso: A historinha, os finais, os personagens, os chefes, os díalogos marcantes e aquilo que te fez chorar feito um bebêzinho na frente do console ou te fez rir tanto que sua mãe pensou que você era retardado. As partes desnecessárias, tediosas, rídículas, sem graça. Aquilo que te fez perder a vontade de jogar um game e aquilo que te fez tirar um jogo do console depois de completá-lo com aquela sensação de satisfação do tipo “porra, eu acabei de salvar [ou destruir] um mundo”.
Quero saber o que vocês acham dessa idéia. Gostam? Desgostam? Porque sim ou porque não? Você visitaria? Você entraria num grupo de discussão sobre literatura gamer? Faço um blog ou só uma coluna aqui no Blogeek? Como deveria chamar uma tranqueira dessas?
Enfim, o freguês é quem manda.

E agora um video simplesmente hilário, só pra descontrair e tornar esse post um tanto menos chato, porque hoje o dia foi meio fraco de notícias boas. Já parou para imaginar como eram os caras que desenvolviam aqueles conceitos dos jogos clássicos de Atari e NES? Eu sempre imaginava algo próximo disso dos game devolpers dos anos 70:
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