GAME MUSIC (ou quase): Motoi Sakuraba – Forest of Glass

 

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Por Alexei Barros 

Definitivamente, os dias parecem durar 48 horas para o compositor Motoi Sakuraba. Como freelancer, ele consegue colaborar com recorrência para quatro estúdios – Camelot, Namco Tales Studio, tri-Ace e tri-Crescendo – e ainda ter tempo para gravar o recém-lançado CD solo Forest of Glass. Ah, lembre-se que ele arranjou quatro músicas no Super Smash Bros. Brawl, fora outras duas suspeitas (não as citarei porque estragaria possíveis surpresas) por conta do estilo inconfundível.


Forest of Glass é o segundo disco dele e bem diferente do primeiro, Gikyokuonsou (1991), que apresentava o
seu característico rock progressivo, com Sakuraba nos teclados e o acompanhamento do baixo de Ken Ishita e a bateria de Takeo Shimoda. Aqui ele toca sozinho no piano 14 faixas não-gamísticas sem a obrigação de ilustrar determinadas circunstâncias de jogo.


Sakuraba adquiriu predileção por solos de piano sobretudo depois da tristonha “So Alone, Be Sorrow – Piano Ver.” (Star Ocean: Till the End of Time) e, evidentemente, da fabulosa trilha de Eternal Sonata. Para fazer companhia às composições de Frederic Chopin interpretadas pelo Stanislav Bunin, havia incorporado solos de piano. A julgar por Forest of Glass, não será estranho se, para uma possível seqüência, ele venha dispensar o musicista russo.

Para a gravação, Sakuraba utilizou o seu piano Bösendorfer 225 no estúdio da sua casa, em um período de dois meses (uma pessoa normal provavelmente levaria quatro). Algumas faixas já tinham sido escritas anteriormente e receberam novas passagens. Sobre as improvisações, selecionou os melhores trechos quando tocava pensando em nada.


Das músicas relaxantes, as quais Sakuraba recomenda ouvi-las observando as estrelas e a Lua, “Reminiscence”, “Forest of sadness” e, obviamente, “Moon of glass” sobressaem. Porém, não
há somente tranqüilas. “Fly!” é uma empolgante viagem sonora que se desenrola sem cansar e “Broken thought” é intercalada por improvisos abstratos.  Sakuraba não mostra que é apenas um excepcional compositor, mas um excelente intérprete, evocando emoções em cada nota. As faixas conseguem contar histórias, ou melhor, inspirar a criação de histórias em nossas mentes.


Forest of Glass é uma obra inspiradora que pode representar uma nova fase da carreira de Sakuraba. Quem sabe ele não se sentirá motivado a fazer coletâneas de piano com as músicas de Star Ocean, Valkyrie Profile, Baten Kaitos, Tales
, Golden Sun etc.?

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