Como já expliquei no prólogo, não tenho 100% de certeza que Final Fantasy VII deveria ter um remake, e comecei a jogar para tirar isso a limpo, momento a momento. Se você não curte Final Fantasy ou não jogou o sétimo episódio, creio que não verá muita graça aqui. Se curte, acompanhe e dê sua opinião.
[Já aviso que o texto ficou com um tamanho anormal. Sério, está bem grandinho. Desculpe, na próxima parte vai ficar menor]
Essa Parte 1 vai desde o início até a saída de Midgar, rumo a Kalm Town. Isso dá umas cinco horas de jogo, e é uma das partes mais marcantes e agitadas do jogo. Antes de tudo, devo dizer que me diverti demais jogando isso novamente, depois de uns 8 anos. Mesmo sabendo o que esperar a cada segundo, não me lembro de me importar tanto com um RPG desde… bem, desde quando joguei FFVII pela última vez. Anyway, chega de enrolação.
A abertura
Nem preciso falar muito. Deixo ambas aqui para você dar uma olhada.
É claro que essa Aerith meio estranha e sorridente do original evoca lembranças que chegam ao nível de um “puta que pariu, meu, como era foda”, mas essa eventual abertura do PS3 – que seria muito melhor, pois essa está com gráficos em tempo real, enquanto uma de verdade seria em CG – te deixa muito mais no clima. Agora… refaçam esse cabelo do Cloud, por favor.
Os Ataques aos Reatores
O Original
Parte do apelo que FFVII teve entre os que não jogavam RPG na época era o cenário sem aquela coisa medieval toda que era quase regra nos RPGs, e o nível de ação logo no começo. Caramba, sua primeira tarefa é explodir um reator ao lado de um cara que tem uma metralhadora no lugar da mão! Enfrentar o Guard Scorpion, soltar seu primeiro Braver (o primeiro Limit Break do Cloud), fugir antes da bomba detonar – mesmo que o tempo fosse muito maior que o necessário. E o ataque a Reator Mako 5 tinha um desfecho muito legal, com o Presidente Shinra, uma batalha que poderia se tornar frustrante contra o Air Buster, e aquela bizarra CG onde o Cloud caía… em formato SD.
E num remake?
Se mantivessem isso simples, sem cenas enrolando, daria a mesma sensação. Mas há uma diferença, que nem abordarei agora: a câmera livre. FFVII usava cenários pré-renderizados e, obviamente, a câmera era fixa. Nesses tempos modernos, onde tudo é em tempo real, algumas coisas precisariam de ajustes. Mas, no caso dos reatores, acho que não teria tanto problema, por isso guardo esse tópico para futuras partes.
Agora, a única parte onde deveriam exagerar, com cenas loucas e bem feitas, é no ataque ao pilar de Sector 7. Essa parte é empolgante, mesmo com aqueles gráficos, até nos dias de hoje. Ver personagens com a qualidade do filme Advent Children participando dessa cena seria algo épico. E não existiria mais chibi-Cloud caindo. Não encontrei um vídeo adequado, mas, caso queira relembrar como a Shinra matou milhares sem nenhum remorso, temos aqui a CG da destruição.
Quando não há ação…
Nesse começo, há apenas duas partes para dar uma relaxada: o encontro no 7th Heaven, o bar da Tifa que serve de esconderijo para o grupo AVALANCHE (pois é, é tudo em caps… ok, prometo que não repito isso) e a visita à casa da Aerith. No remake, com certeza a parte do bar seria uma longa cena, que ficaria excelente. Embora eu não saiba o que a Square Enix faria na hora da escolha de diálogos – percebeu que isso praticamente não existe mais nos JRPGs? E a dublagem deixaria mais claro qual é o tom da conversa de Cloud com Tifa, já que o jogo consegue ser meio confuso ao mostrar a relação entre eles.
Nem tenho o que falar sobre a casa da Aerith (embora eu te desafie a lembrar o nome da mãe adotiva dela sem olhar no google), só quero fazer um ponto: a música. Ouvir o tema da Aerith naquela qualidade do chip de som do PS1 é lamentável, ainda mais quando existe a fabulosa versão orquestrada. Mesmo que os gráficos velhos e os personagens SD até deixassem a qualidade tosca um tanto simpática (e você provavelmente jogava em uma TV velha de 14″ com som mono, chiando por causa do cabo de som mal conectado, então nem se importava), não há como negar que a trilha sonora como um todo, se fosse devidamente refeita por Uematsu e sua gangue de sempre, talvez se tornasse a melhor trilha dos Final Fantasy.
Apresentação no Tour de Japon (volume baixo)
Invadindo a Shinra Tower
Isso seria possivelmente a coisa mais sensacional do jogo inteiro. Sem nem falar o que poderiam fazer numa cena de entrada pelo hall principal, ou nas lutas contra Hundred e Heli Gunner no elevador de vidro, mas pense como seria a cena com Rufus no topo da torre e, principalmente, a escapada e perseguição pela rodovia. Você controlando Cloud na Hardy Daytona, mais ou menos como a perseguição contra Kadaj, Los e Yazoo no Advent Children. Infelizmente, o YouTube não vai colaborar em mostrar a cena do filme, mas veja a sequência do FFVII - que hoje não é tão legal assim – e sonhe com algo melhor.
(só até os 2:25, na verdade)
Finalmente, o grande problema
O problema não é a sequência dos trens, nem os personagens dispensáveis (Biggs e Wedge?) nem os andares calmos da torre após o 60º andar. O problema é a parte inteira do Wall Market. O motivo? Aquilo simplesmente não existe mais.
Caso não se lembre: Cloud está com Aerith num playground abandonado, quando vê Tifa em uma carrugam seguindo para o Wall Market. Ela estava indo para a mansão de Don Corneo, um figurão que mora no fim desse lugar.
A verdade é que toda essa parte do Wall Market foi feita no estilo antigo dos videogames, impossível de ser retratada em um ambiente mais realista. E, como o jogo seria para o PS3 (ou para o 4, a essa altura), ele tem que ter aquela qualidade gráfica que você espera. Duvida? Então vamos lá:
- Você começa sua jornada pelo local no Honey Bee Inn. Para sermos educados, podemos dizer que é a única vez que o Bahamas foi retratado em um Final Fantasy (que eu me lembre, pelo menos). Sim, é o caminho da perdição, com as moças vestidas de abelhinhas e tudo mais. E os caras na porta babando pela Aerith, que fica do lado de fora. Na época, a ESRB nem ligou. Agora, quem sabe.
- Don Corneo é um velho safado. Tifa está lá tentando ser “a escolhida” da noite para conseguir informações. Toda noite ele escolhe uma garota diferente, e é bom confiar em suas habilidades, pois as não selecionadas não costumam ser vistas novamente. E ele tem uns equipamentos de sado-masoquismo no porão. E um Hyper atrás da cama (é um item que aumenta seu Limit Break… ele é um velho… sacou?). Imagine isso dublado, e temos uma bela missão de GTA.
- CROSS DRESSING! Esse é o ponto principal. Para entrar na mansão e encontrar Tifa, Cloud precisa se disfarçar de mulher. Embora você só precise de um vestido e uma peruca, dá para conseguir muitos itens, como uma Tiara, Lingerie e maquiagem. E nem vou falar da sala com a banheira cheia de musculosos. Agora pense na Square Enix “extraindo todo o poder do PS3″ para fazer um Cloud travesti. É claro que nosso humor gamer maldoso nos faz querer ver isso, mas pense em como isso afeta o clima do jogo, especialmente vendo como tudo fica muito mais sério com o passar da história. Nâo sei se a Squenix colocaria essa parte intacta, sem mexer em nada. E até que ponto gostaríamos que essa parte clássica e engraçadíssima fosse sacrificada pelo bem do resto do jogo?
Além disso, Cloud se desfaz de seu traje feminino e volta à sua roupa de SOLDIER dando um simples giro, algo normal numa época onde nada era levado muito a sério (2:55 do vídeo do Corneo). Como fariam que ele voltasse ao normal no PS3?
Só para finalizar, imagino quanto tempo e esforço seriam necessários para criar o Wall Market de maneira convincente.
Bom, isso é o que dá para dizer dessa primeira parte. Peço desculpas pelo tamanho monstruoso do texto, prometo que os próximos serão menores. Nos vemos na parte 2, que vai de Kalm Town até… bom, não sei. De qualquer forma, até lá!