Este que vos escreve tem três séries favoritas: The Legend of Zelda, Metal Gear e Final Fantasy. Talvez nessa ordem, talvez não. São séries que demoram muito para ter capítulos oficiais novos – no caso do Zelda, considere as versões de console -, que fazem valer a compra de um console apenas para jogar o jogo mais recente. Me fizeram comprar um Wii e um PS3, por exemplo.
Bom, mal comecei e quase estou indo para um off-topic. Voltando, Final Fantasy tem muitos fãs como eu, que sabem que o Rude é o careca, que os Moogles falam “kupo” a todo instante e que mudam o nome da Aeris para Aerith para não ter que ficar vendo uma tradução errada durante 30 horas.
Você conhece Final Fantasy VII, com certeza. Não precisa ter jogado, mas conhece o Cloud. E o Sephiroth. Pode até não conhecer a Aerith, protagonista do spoiler mais conhecido da história dos videogames, mas sabe que o Seph matou uma garota que estava rezando. Não quero entrar muito no assunto, mas Final Fantasy VII é tudo isso que dizem. Sim, FFVII NÃO É OVERRATED. É perfeitamente normal não achá-lo o melhor da série, num gosto pessoal, mas gstar de RPGs japoneses e dizer que esse é um jogo ruim é coisa daqueles caras que juram amor ridículo e incondicional ao 2D, provavelmente porque só eles conheciam aqueles jogos e se achavam o máximo.
O fato é que FFVII ocupa um lugar muito importante na história dos RPGs. Ele é a ponte que liga os RPGs old-school que todo mundo ama – Chrono Trigger, FFVI ou, se você é japonês, Dragon Quest I-VI – com a perfeita era de ouro dos RPGs, de 1997 a 2000. Ele uniu as duas épocas uma única vez, pegando tudo o que havia de melhor dos 16-bit e juntando com o caminhão de inovação, inspiração e competência que ditou o caminho dos RPGs até o final da era PlayStation. Para mim, essa combinação é insuperável e, mesmo não sendo perfeito, é meu RPG favorito de todos os tempos.
Então, estamos na E3 2005. Um ano antes de Riiiiidge Racer, Giant Enemy Crab, 599 US dollars e da CG do Killzone 2. Falaram abertamente sobre o PlayStation 3 pela primeira vez. Tivemos demos técnicas de patos de borracha, The Getaway e outros. E também tivemos os um minuto e quarenta segundos com o efeito mais duradouro da história da E3: a demo técnica de FFVII para PS3. Já está durando por quatro anos e não será esquecido tão cedo.
A Square Enix fez questão de colocar “Technical Demo for PS3″ logo abaixo do nome, para deixar claro que isso não era um trailer de um possível jogo. Era só para mostrar o que o PS3 conseguia fazer. No dia seguinte, porém, tudo já havia saído de controle. Ninguém pedia um remake do clássico na época, já que não valia a pena ter isso no PS2. Mas aí, por culpa da própria empresa, todo mundo pensou em como ficaria isso num console centenas de vezes mais poderoso que o original. Desde então, todo mundo aguarda ansiosamente, e diz que a Square Enix é muito má, ou que está perdendo um caminhão de dinheiro, ou qualquer coisa assim. Mas será que é assim mesmo? Você já se perguntou se um remake daquele jogo conseguiria ser apenas um remake? É o que vou tentar responder nessa série de posts, que vai levar um tempo.
Durante a coletiva da Sony, semana passada, Jack Tretton disse que Final Fantasy VII estaria disponível na PSN americana naquele mesmo dia. Me segurei por uns dias, mas acabei baixando, e cá estou jogando de novo. Sempre me questionei se o tal remake me faria mais feliz que o original. Afinal, tudo o que você experimenta pela primeira vez é muito mais especial. Aproveitando o embalo, essa é a hora de fazer essa fria análise, ao longo do jogo inteiro.
Vamos ver o que funcionaria e o que teria que ser mudado, o que vale a pena ser refeito, e o que só fica bom em nossa memória e naqueles 3 CDs de mais de uma década atrás. Posso adiantar que, logo nas primeiras horas, já há algo impossível de retratar no PS3.
Estou na porta do prédio da Shinra. Assim que passar essa parte e finalmente chegar ao mapa do mundo, escrevo a Parte 1. E assim vamos até a Northern Crater e a hoje irreconhecível versão original de One-Winged Angel. Você, fã ou não, está convidado a comentar e discutir essa palhaçada toda. Sendo assim, nos vemos na Parte 1!