Eu estarei aqui… eu estarei “esperando”… aqui. Eu estarei esperando… por você… então… se você vier aqui, você vai me encontrar. Eu prometo.

Eu lembro como se fosse ontem do momento em que coloquei o primeiro CD do Final Fantasy VIII japonês no meu Playstation e assisti a esta abertura. Cara, ela me dá arrepios até hoje. Na época então… eu mal podia acreditar no que estava vendo. Depois de aguardar tanto pela continuação do meu game preferido, FF7, ela finalmente estava ali, na minha frente, toda em japonês, e era muito melhor do que eu imaginava quando lia os previews gigantes da revista Gamers. E olha que eles sabiam como me deixar ansioso por um game.
Já faz um pouco mais de 10 anos desde aquele 11 de Fevereiro de 1999 em que o Japão parou para receber a nova obra de arte da então Squaresoft. Era o RPG mais esperado de todos os tempos, cerca de 2.5 milhões de cópias foram vendidas em apenas 4 dias! Para efeito de comparação, saiba que o jogo mais vendido no Japão ano passado foi Monster Hunter Freedom Unite, do PSP, que quase atingiu essa marca em seu acumulado do ano. Havia até lei para impedir que um novo episódio de FF (e também de Dragon Quest) fosse lançado em dia letivo, simplesmente porque ninguém iria para a aula. A recepção pela crítica foi igualmente calorosa. O Gamespot (quando do lançamento americano) deu nota 9.5; o IGN, 9. Aqui no Brasil, nunca as revistas de games haviam destinado tanto espaço para um RPG antes, ele recebeu várias capas e foi aclamado como o jogo do milênio. “Muito hype”, você diz. E eu até concordo, porque agora é fácil dizer, mas na época era impossível não ficar simplesmente alucinado com o game.
E não era para menos. As músicas eram todas orquestradas e a tecnologia gráfica, já usada antes em Parasite Eve, trazia pela primeira vez modelos realistas dos personagens. Parecia que cada cenário, cada música, cada cena havia sido concebida de forma a arrancar suspiros do jogador a todo minuto, característica na qual até hoje não foi superado. O sistema de Junction foi bastante criticado por ignorar antigas convenções da série, mas era muito divertido para quem o entendesse de fato. As magias não passavam de meros acessórios para fortalecer os atributos dos personagens, deixando o protagonismo dos confrontos para os Limit Breaks e, principalmente, os Guardian Force. Não havia MP e você podia até escolher os comandos que ficariam disponíveis durante as batalhas, normalmente Draw, GF e mais um qualquer. Era muito legal andar pelo mapa procurando inimigos raros, imaginando quais magias eles possuíam. Uma curiosidade: cada continente tinha um inimigo poderoso escondido nas florestas. O mais famoso? Provavelmente o T-Rex, que aparecia na floresta ao lado da caverna do Ifrit e também no centro de treinamento da Balamb Garden.
Mas, sem dúvida, o aspecto em que o FF8 mais brilhava era no seu enredo, pra mim até hoje o melhor da série. Muitos não irão concordar, dizendo que se trata exatamente do seu ponto fraco, mas eu explico. É que, talvez de forma inédita na industria de games, FF8 invertia a ordem de prioridades: enquanto todos os outros jogos apresentavam uma história para dar embasamento ao jogo, aqui era o jogo que servia de complemento para se contar uma história, uma história de amor. Não se trata de um game sobre magias, bruxas, heroísmo, mas sim sobre amor. Tudo que importava era a interação entre o Squall e a Rinoa: a forma como ele era um cara fechado, introvertido, por vezes até grosseiro, e de como uma garota alegre e cativante consegue derreter o gelo e conquistar seu afeto. Mais do que isso: consegue fazê-lo sorrir. Todo o contexto (guerras, Gardens, Ultimecia…) não passa de simples coadjuvante em um enredo sobre dois personagens.
Portanto, não é a toa que 10 anos depois FF8 continue vivo na lembrança de quem o jogou. Ele não é simplesmente um dos melhores FFs, ou mesmo um dos melhores RPGs do PSX: trata-se de um dos melhores games de todas as plataformas, de todos os tempos. Não por ser tecnicamente perfeito, mas porque tem coração. Por detrás de todas as batalhas, efeitos e maravilhosas CGs está, pura e simplesmente, uma história de amor com personagens tão reais quanto eu e você.
por Maiquinho
Confesse aí, você é do tipo festeiro, dançarino, ou também se sente deslocado nas baladas e comemorações? O Squall te entende, e acho que a gente também entende ele por ficar completamente sem jeito quando uma garota toma a iniciativa e resolve tirá-lo para dançar.