Street Fighter 4: excelente, porém…

O review completo do melhor game de luta dos últimos tempos.

The anwser lies in the heart of battle.

Um homem chamado Bruce Lee dizia que, no princípio, achava que um soco era apenas um soco e um chute era apenas um chute. Então ele estudou artes marciais e descobriu que um soco não era apenas um soco, um chute não era apenas um chute. Depois então ele se tornou um mestre… e percebeu que um soco era apenas um soco e um chute era apenas um chute. Bruce Lee acreditava que a luta era movimento, instinto, reflexo, e que as doutrinas clássicas haviam burocratizado aquilo que deveria fluir naturalmente ao valorizarem demasiadamente a perfeição técnica dos golpes. E é nisso que eu também acredito, embora jamais tenha estudado artes marciais a sério.

Sendo assim, um bom game de luta deve reproduzir a mesma fluidez que ela teria na realidade, e eu venho lhes dizer com toda a satisfação do mundo que a Capcom acertou a mão em cheio neste ponto: a pancadaria em Street Fighter 4 rola naturalmente, ele simplesmente está certo, encaixado, você sente isso enquanto joga. Quase podemos dizer que Street Fighter 3 representa o viés técnico, onde você deveria ser quase um expert para jogar, enquanto que em SF4 qualquer pessoa é capaz de pegar o controle e sair descendo o pau de forma franca e direta. Tudo isso sem menosprezar aqueles que jogam em alto nível, que estudam cada movimento de cada personagem para elaborar estratégias infalíveis: existe esse tipo de profundidade aqui também.

Mas infelizmente nem tudo é perfeito. Se SF3 representou um recomeço para a série, SF4 representa uma retomada. E a sua influência não poderia ser mais adequada: o segundo episódio, que revolucionou a indústria no início da década de 90. Eu fiquei entusiasmado acreditando que eu pudesse me sentir novamente como aquele garotinho que parava na frente da TV e imitava o movimento de braços do Ryu, na esperança de soltar um hadouken. Mas faltou alma para SF4, faltou aquele feeling que tinha o segundo, aquela atmosfera de “vamos viajar o mundo atrás de adversários poderosos”, porque cerimônia não significa nada, “a luta é tudo”. Este é, com certeza, seu maior defeito.

Também enquanto alguns cenários são maravilhosos, cheios de vida e movimento, outros são simplesmente sem graça, e isso vale também para as músicas. O game é incapaz até mesmo de definir uma identidade visual própria. Digo isso porque o vídeo de abertura é lindo, apresentando um estilo em pintura, com ricos, borrões e tinta voando para todos os lados. Então você escolhe um personagem e é surpreendido por cenas em anime. Tudo piora ainda mais quando você finalmente entra na luta e percebe que agora o visual é todo redondinho, coloridinho. Não que seja feio, mas a Capcom realmente deveria optar por um dos três estilos e aplicar em todo o game. Eu, particularmente, gostaria que fosse tudo mais parecido com a abertura.

Por fim, posso garantir a você, leitor, que Street Fighter 4 é absolutamente competente e acima da média, talvez até o melhor game de luta desde o próprio Street Fighter 2. Mas, infelizmente, ele não atinge esse mesmo nível, até porque muitos dos seus pontos fortes ele deve diretamente ao segundo episódio. Mesmo que não seja um clássico eterno, SF4 tem seu maior mérito justamente em reproduzir com naturalidade a movimentação e adrenalina de uma boa luta e certamente será a medida pela qual todos os jogos do gênero serão avaliados daqui para frente. Bruce Lee ficaria orgulhoso de assinar este game, você pode ter certeza disso.

por Maiquinho

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As the award ceremony begins, the crowd can be heard whispering... "Where is the champion?" "Where is Ryu?" Already seeking the next challenge, ceremony means nothing to him. The fight is everything.