
Ok, finalmente chegamos ao ponto máximo do ridículo. O site do PROCON publicou um texto ontem, dizendo que os jogos Counter-Strike e Everquest serão recolhidos das lojas do estado de Goiás, alegando que foram “considerados impróprios para o consumo”, e que teriam infringido quatro artigos do código de defesa do consumidor.
Obviamente, o conhecimento sobre videogames dessas pessoas é menor do que zero. E só para provar, vamos dar uma olhada em cada parágrafo do texto:
“O jogo “Counter Strike” (reféns, bomba, fuga, assassinato, armas, técnicas de guerra, táticas de guerrilha) reproduz a guerra entre bandidos e policiais e impressiona pelo realismo. O jogo foi criado nos Estados Unidos e adaptado para o Brasil. No vídeo-game, traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas. A polícia invade o local e é recebida a tiros.”
Sim, eles estão falando do cs_rio, aquele mapa (muito bem feito, por sinal) que se passa em uma favela (e que tem aquelas músicas trash). Ah, nota: esse mapa é um mod, não vem com o game. Será que eles resolveram banir Counter-Strike por causa de UM MAPA, e que nem está no jogo oficial? Se for o caso, a EA, que é quem distribui os jogos da Valve aqui no Brasil, já está com a causa ganha, quando recorrer. E, espere… “impressiona pelo realismo”?! E você achava que Crysis era bonito…
“O participante pode escolher o lado do crime: virar bandido para defender a favela sob seu domínio. Quanto mais PM´s matar, mais pontos. A trilha sonora é um funk proibido. Nessa escala de violência, cada um escolhe suas armas: pistolas, fuzis e granadas. Na visão de especialistas, o jogo ensina técnicas de guerra, haja vista o jogador deve ter conhecimento sobre táticas de esconderijo, como se estivesse numa guerrilha.”
Ah, eu adoro quando os veículos não-especializados usam a palavra “pontos”. Sempre são pontos. E legal também é o “quanto mais PMs matar”. Os caras são PM’s? Bom, continuemos. Ok, “o jogo ensina táticas de guerra”. Sinceramente, eu não acho. Ser um camper em um videogame não é lá muito parecido com se esconder na vida real. Mas, mesmo que ensine, e daí?! Então por que não proíbem todos os outros FPS, como por exemplo Medal of Honor, onde você está de fato em uma guerra? Ou Ghost Recon Advanced Warfighter, onde as táticas de invasão são muito importantes?
O jogo “Everquest” leva o jogador ao total desvirtuamento e conflitos psicológicos “pesados”; pois as tarefas que este recebe, podem ser boas ou más. As más vão de mentiras, subornos e até assassinatos, que muitas vezes depois de executados, o jogador fica sabendo (ou não) que era apenas uma armadilha para ser testado para entrar em um clã (grupo).
Espera aí, gente. Não, na boa. “o jogo leva a conflitos psicológicos ‘pesados’.” E o que isso tem de nocivo?! Agora até o fato de termos que escolher nossas próprias atitudes é caso para proibição, o que é basicamente a definição de censura!
Os jogos violentos ou que tragam a tônica da violência são capazes de formar indivíduos agressivos, sobressaindo evidente que é forte o seu poder de influência sobre o psiquismo, reforçando atitudes agressivas em certos indivíduos e grupos sociais.
Provem. Essa afirmação é dita sem nenhum embasamento nos estudos que sempre são feitos sobre esse assunto. A maioria é inconclusiva, inclusive. São idéias formadas por qualquer um que detém poder e não entende nada do assunto, e que por acaso acontece de ter o filho cabulando uma aula da escola para ir jogar, ou porque o filho levantou a voz para o pai quando ele disse “chega de jogar isso”, ou qualquer coisa do gênero. Nada comprova a afirmação do texto. Nada. Obviamente, existem pessoas de cabeça fraca, que de fato podem ser influenciadas, porém são uma minoria ridícula, e punir a todos os que jogam esses games é como dizer que todos são retardados.
Todo consumidor goiano que se deparar com a distribuição e comercialização dos jogos virtuais “Counter-Strike” e “Everquest” deve acionar o PROCON/GO, via telefone 151 ou por meio do e-mail: consulta@procon.go.gov.br, visando a apreensão destes produtos.”
LOL, eu sei que você jamais faria isso.
Bom, isso é meio óbvio, mas o Blogeek é contra qualquer tipo de censura, especialmente nos videogames. A gente já sabe o que tem que passar para conseguir comprar games e consoles originais aqui no Brasil, e dos impostos abusivos cobrados sobre os produtos do nosso hobby favorito. Agora, aparece isso, e é como se estivessem querendo controlar o que devemos jogar. Ou seja, já não basta pagar o preço abusivo de um produto aqui, você ainda tem que jogar apenas o que “eles” acham que é bom para você.
A classificação dos jogos tem e deve ser feita pelo ministério da justiça. Eles viram/jogaram, deram a classificação indicativa, e pronto. E agora vem a “17ª Vara Federal da Seção judiciária do Estado de Minas Gerais” e faz isso? Isso é censura, e convidamos você a espalhar essa notícia em todos os lugares. esse tipo de atitude não é ruim apenas para nós, jogadores, mas sim para o Brasil inteiro. Veremos o que os PROCON dos outros estados irão fazer.
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PROCON Goiás [Via Audiogame]